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7 de outubro de 2015

Bate papo no sótão - 4

O ilustrador Dane D'Angeli aceitou o convite e veio bater um papo comigo aqui no sótão.
Dane nasceu em Porto Alegre, RS e atualmente mora em Gravataí. Descobriu seu talento para desenhar e colorir ainda criança e se dedica à ilustrações de livros infantis. Dane também é Coordenador da Regional Sul da AEILIJ  (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil).
Leia abaixo a nossa conversa:

Passarinho - Quando era criança, você gostava de ler? 

Dane - Sempre gostei de ler, texto e imagem, desde criança. Adorava ler gibis, revistas ilustradas e livros. Lembro do  primeiro contato com  a literatura através da série Vaga-lume, uma coleção de livros lançados  pela Editora Ática a partir de 1972 e ilustrados, na maioria, por Jayme Leão, referência em ilustração.

Passarinho - Quando decidiu ser ilustrador? 

Dane - Eu sou ilustrador por que nunca abandonei o desejo de desenhar, ler o mundo através do olhar e me comunicar através da imagem. Foi um caminho natural. A única escolha que fiz foi optar por ser um ilustrador de livros de literatura infantil e juvenil.

Passarinho - O que te inspira na hora de criar? 

Dane - O texto é o meu passaporte para o imaginário. 
A ideia de que um artista profissional depende de inspiração para criar me parece um tanto equivocada, apesar de comum. O processo criativo, em  parte, é "braçal", 95% de suor e 5% de inspiração e insights. 

Passarinho - O que faz para se apropriar do texto do autor? 

Dane - Procuro ativar os meus sensores e introjeto o texto lendo-o em silêncio, lendo-o em voz alta, lendo-o para o outro e contando a história e os pontos que me marcaram nela sem o texto impresso em mãos. Aquilo que me marca é aquilo que sinto e minha arte é construída a partir do sentir.

Passarinho - Que tipos de livros gosta de ilustrar? 

Dane - Eu sou ilustrador de livros de literatura infantil e juvenil e é dentro deste universo que  gosto de desenvolver o meu trabalho.  Posso ilustrar qualquer  tema.

Passarinho - Quantos livros aproximadamente você já ilustrou?

Dane - Tenho nove livros lançados e ainda não lancei um como escritor e ilustrador. 

Passarinho - Que técnicas você mais utiliza? Que cores prefere? 

Dane - Utilizo técnica mista, ou seja, misturo o tradicional, o digital e técnicas não  convencionais. Gosto de todas as cores e da ausência de todas elas também. Uma folha em branco é o que mais me atrai.

Passarinho - Quantos livros aproximadamente possui em sua biblioteca particular? 

Dane - Nunca contei, talvez cem ou duzentos. Muitos livros apenas passam por minhas mãos e depois vão embora, ganham asas.

Passarinho - Você tem alguma mania ou algum hobby? 

Dane - Manias de leonino, ou seja, nenhuma. 
Um hobby, música.

Passarinho - Como você vê o trabalho de incentivo à leitura no Brasil? 

Dane - O maior incentivo à leitura que o país pode ter são os pais lendo em casa e oferecendo literatura para os filhos. Estudei a vida  toda em escola pública e durante aquela fase, lembro bem, eu e minha geração jamais recebemos um autor na escola ou tivemos a oportunidade de visitar um evento literário. Vejo com  bons olhos, apesar dos fantasmas de uma crise anunciada, o trabalho de incentivo à leitura realizado em nosso país. Entretanto, além das iniciativas de governo, o que me deixa mais contente são as  pessoas e os profissionais engajados  fazendo aquilo que mais amam, incentivando o hábito de ler nas crianças, jovens e adultos. 

Passarinho - Deixe um recado para as crianças sobre a importância da leitura: 

Dane - Meninos e meninas é importante ler, ler por completo. Leiam  muitos livros. Leiam textos e leiam imagens. Mas, acima de tudo, leiam a vida por inteira. Leiam aquilo que pode ser visto e aquilo só pode ser sentido.

Para saber mais sobre o Dane e conhecer os livros que ele já ilustrou, clique aqui.

15 de setembro de 2015

Bate papo no sótão - 3

Quem veio bater um papo no sótão desta vez foi a Blandina Franco, autora de livros infantis sempre muito divertidos, curiosos e que encantam leitores de todas as idades!
Blandina é casada com o ilustrador José Carlos Lollo (na foto) e juntos formam uma dupla muito bacana que cria histórias pra lá de legais e já receberam vários prêmios por seus livros! Aqui no sótão temos alguns de seus livros e estamos sempre (re)lendo!




Leia aqui o que conversamos e conheça um pouco mais sobre a autora:


Passarinho - Quando era criança, você gostava de ler?

Blandina - Sim, sempre gostei de ler. Sou filha de escritor e cresci cercada de livros, com meu pai ouvindo óperas e escrevendo em uma máquina de escrever Olivetti.

Passarinho - Quando decidiu ser autor/ilustrador?

Blandina - Na verdade eu não decidi ser uma escritora, os livros aconteceram em minha vida quando eu já tinha quase 40 anos. Um dia escrevi uma história, todo mundo gostou, depois encontrei o Lollo que hoje é  meu marido e parceiro de livros e juntos começamos a contar e publicar histórias para as crianças. Começou como uma brincadeira e continua sendo, só que agora mais crianças brincam com a gente.

Passarinho - Se lembra de algum livro que lia na infância ou tem algum que te marcou em especial?

Blandina - Não tenho nenhum livro em especial que tenha me marcado. Sempre li de tudo um pouco. Meu pai dizia que o que importa é ler, qualquer coisa valia. Tinha uma coleção de livros chamada Fábulas Encantadas que era vendida nas bancas quando eu era criança que tem as ilustrações mais lindas do mundo e sempre que vou a um Sebo procuro e compro. Lia todo e qualquer gibi que aparecesse na minha frente. Amava Timtim, Luke Lucky , Bolota e Pato Donald. Depois li todos os policiais da Agatha Christie.

Passarinho - Como surgiu a ideia para seu primeiro livro? Qual foi ele?

Blandina - Acho que o primeiro livro que eu e Lollo fizemos juntos foi o Pum. Não sei se ele foi o primeiro a ser editado, mas acho que foi o primeiro que escrevemos juntos e a história todo começou por causa de um cachorro que eu tinha na época, que não soltava pum, mas era fedido como um. Não importava quantos banhos ele tomava, ele sempre estava fedido.

Passarinho - Quantos livros aproximadamente possui em sua biblioteca particular?

Blandina - Não sei muito bem, mas acho que temos uns 2 mil livros no nosso escritório. Isso até a nossa próxima ida a livraria.

Passarinho - Você tem alguma mania ou algum hobby?

Blandina - Tenho muitas. Bordar, tricotar, fazer bonecos, e depois que conheci o Lollo, colecionar brinquedos, que é uma grande paixão.

Passarinho - Como você vê o trabalho de incentivo à leitura no Brasil?

Blandina - Acho que muito precisa e poderia ser feito para formar mais leitores. O único grande programa de incentivo montado por uma empresa que vejo, é o do Banco Itau ,que monta bibliotecas e distribui livros para as crianças. A maior parte do que vejo de incentivo a leitura, parte de pessoas físicas, formiguinhas que vão em escolas, montam bibliotecas, fazem contações de histórias. Acho uma pena não haver maior incentivo para as crianças lerem. Livros ajudam as crianças a crescer, superar problemas, aprender, imaginar e depois serem adultos mais divertidos.

Passarinho -  Deixe um recado para as crianças sobre a importância da leitura:

Blandina - Ler é importante porque é legal. Porque é divertido, porque ensina coisas que você nem sabe que precisa aprender, porque apresenta o mundo, alimenta a imaginação, te ajuda a sonhar, e de quebra ainda te faz dar risada quando a história tem um vilão que mereça.

Aqui estão alguns dos livros da Blandina e do Lollo:



Eu adoro este!!!

A trilogia preferida das crianças!!!


Para conhecer outros títulos, CLIQUE AQUI

11 de agosto de 2015

Bate papo no sótão - 2

Olá, leitores!!
Hoje temos mais um "Bate papo no sótão" e desta vez quem veio compartilhar um pouco de sua história conosco é o autor e ilustrador André Neves.

Nascido em Recife, Pernambuco, André dedica-se exclusivamente ao universo dos livros infantis.
Com mais de 100 livros publicados, entre os de sua autoria e os que ilustrou também para outros autores, ele apresenta um estilo bem original em seus trabalhos.Já teve vários livros premiados e alguns traduzidos para outros países. Participou de mostras e exposições no Brasil e no exterior.
Sou suspeita pra falar, pois me emociono a cada livro. As ilustrações são de uma beleza única e depois que leio a história, volto ao início do livro para apreciá-las, algumas eu até acaricio!


Vejam o que conversamos aqui:

Passarinho: Quando era criança, você gostava de ler? E de desenhar?
    André: Sim, livros e leitores sempre foram compartilhados em casa de uma forma natural. E desenhar, quando pequeno, sempre foi a melhor brincadeira.
    Hoje ainda é, mas faz parte também da vida profissional que escolhi.

    Passarinho: Quando decidiu ser ilustrador?
      André: Quando em Recife, minha cidade natal, fui trabalhar no Espaço Pasárgada. Casa do poeta Manuel Bandeira e Espaço Cultural que na época tratava de promoções literárias. 
      Descobri o livro ilustrado e já estudava pintura. Foi assim que as possibilidades múltiplas da leitura visual fizeram sentido para mim.

      Passarinho: Seus livros são extremamente emocionantes e sensíveis. O que te inspira na hora de criar? 
        André: Cotidiano, memória, fantasia e brincar para comigo mesmo. Assim alimento meu imaginário. Depois segue para os leitores.

        Passarinho: O que faz para se apropriar do texto do autor? 
          André: O mesmo sentido da resposta acima. Mas nem sempre foi assim, hoje o meu profissional é extremamente honesto com meu fazer artístico.

          Passarinho: Quantos livros aproximadamente você já ilustrou?
            André: Juntando com os que escrevi e ilustrei mais de 100. Perdi a conta e alguns livros também sumiram da minha estante e tenho de recuperar por ser parte de minha própria história. 

            Passarinho: Que técnicas você mais utiliza? Que cores prefere?
              André: Formalmente se chama técnica mista pela grande variedade de materiais. Mas uso muito acrílicas, temperas, colagens e do que fizer sentido para finalizar uma ideia.

              Passarinhos: Quantos livros aproximadamente possui em sua biblioteca particular?
                André: Nunca contei, mas deve estar entre 1 e 2 mil. 

                Passarinho: Você tem alguma mania ou algum hobby?
                  André: Penso que não. Tenho uma vida de rotina comum e simples. Adoro estar em casa e ver o despertar da manhã e o entardecer. Às vezes com caminhadas por perto. Gosto de observar a vida e os dias.

                  Passarinho: Como você vê o trabalho de incentivo à leitura no Brasil?
                    André: Tenho presenciado situações maravilhosas, eventos significativos, projetos encantadores e feiras e festas para os livros e a leitura. Um crescimento real que perderá o sentido e força se não houver cada vez mais investimentos na cultura e educação. O mundo mudou e principalmente a formação dos educadores tem de ter outras perspectivas. Precisamos criar uma base de compreensão onde ensinar é menos, estimular conhecimento é mais. São duas coisas distintas. 

                    Passarinho: Deixe um recado para as crianças sobre a importância da leitura: 

                    André: Ler é muito mais do que palavras. Mas a leitura literária abre os olhos da mente. 



                    Aqui estão alguns de seus livros:







                    Para conhecer mais sobre o trabalho do André, CLIQUE AQUI. E não esqueça de deixar seu comentário sobre a entrevista!

                    3 de agosto de 2015

                    Bate papo no sótão - 1


                    Ilan Brenman é o primeiro autor convidado para a nova coluna do blog: Bate papo no sótão!


                    Com mais de 60 livros publicados, ele é considerado um dos mais importante autores de livros infantis do Brasil, ganhador de diversos prêmios e traduzido em vários países. Tudo começou quando cursava Psicologia, no seu primeiro estágio em um projeto de educação não-formal, quando se descobriu um contador de histórias. Ilan sempre gostou muito de ler e pesquisar, o que facilitou o despertar para a escrita literária, em 1992. Seu primeiro livro, O pó do crescimento, virou livro em 2001, sendo relançado numa edição especial em 2011. Além da experiência de contador de histórias, Ilan Brenman participou de projetos de mediação de leitura em hospitais e formação dos profissionais desta área que desejavam ler para crianças hospitalizadas. Fez mestrado e doutorado na Faculdade de Educação da USP, com temas ligados à literatura infantil. Escreveu também dois livros teóricos, Através da vidraça da escola - formando novos leitores e A condenação de Emília - o politicamente correto na literatura infantil.
                    Atualmente Ilan compartilha suas reflexões sobre educação, cultura e outros vários assuntos em sua coluna mensal na Revista Crescer “Palavrórios e Rabugices”, também na Rádio CBN com dois boletins semanais sobre Literatura e Educação e percorre o Brasil e o mundo dando palestras e participando de mesas de debate em feiras de livros, escolas, universidades públicas e privadas sobre temas contemporâneos nas áreas de  cultura, família, literatura e educação.
                    Tenho um carinho e respeito muito grande pelo Ilan! Ele foi o primeiro autor com quem fiz amizade pelo Facebook, desde 2012, e sempre foi muito atencioso comigo. Sou apaixonada por seus livros, temos vários títulos aqui no acervo do sótão, que compartilho com meus filhos, alunos e também com as crianças que visito nos hospitais (sim, mais um motivo para eu me identificar com o Ilan!). Tenho dois livros que gosto em especial, o A cicatriz e o Papai é meu!, que serão assunto para novos posts.

                    Confira o bate papo:

                    Passarinho - Quando era criança, você gostava de ler?

                    Ilan - Adorava ouvir e criar histórias desde pequeno. 

                    Passarinho - Quando decidiu ser autor?

                    Ilan - Quando comecei a inventar minhas próprias histórias e contá-las por todos os cantos, queria que mais pessoas conhecessem minhas criações, os livros espalhariam meus contos para lugares que eu não conseguiria chegar fisicamente.

                    Passarinho - Se lembra de algum livro que lia na infância ou tem algum que te marcou em especial?

                    Ilan - Zero Zero Alpiste, de Mirna Pinsky.

                    Passarinho - Como surgiu a ideia para seu primeiro livro? Qual foi ele?

                    Ilan - O meu primeiro livro de ficção foi " O Pó do Crescimento, e outros contos." Ele nasceu de um surto criativo.

                    Passarinho - Quantos livros aproximadamente possui em sua biblioteca particular?
                    Ilan - A última vez que contei (faz um tempo), mais de 4 mil livros.

                    Passarinho - Você tem alguma mania ou algum hobby?
                    Ilan - Hobby -  Ler, ficar com a família e cinema.

                    Passarinho - Como você vê o trabalho de incentivo à leitura no Brasil?

                    Ilan - É um dos trabalhos mais importantes que existem no nosso país, sem leitores não há saída para o Brasil. A Leitura é a mais forte arma contra a escravidão da ignorância. 

                    Passarinho - Deixe um recado para as crianças sobre a importância da leitura: 

                    Ilan - A leitura é tão importante como o arroz e o feijão, alimenta, faz crescer e depois que descobrimos o gostoso que é, sempre vamos pedir mais. 
                    Abraços,
                    Ilan

                    Primeiro livro do autor, em 2001.
                    Um livro especial pra mim...
                    Este é sucesso na mediação de leitura nos hospitais que realizo!
                    Para saber mais sobre o autor e conhecer seus livros,CLIQUE AQUI.

                    22 de julho de 2015

                    NOVIDADE NO SÓTÃO

                    Eu e os passarinhos estamos voando cada vez mais longe (e estamos muito felizes)!!!
                    A partir deste mês, o blog do projeto de incentivo à leitura, Passarinhos no sótão, contará com uma nova seção: Bate papo no sótão.
                    Com o objetivo de aproximar cada vez mais os leitores que me acompanham do universo mágico da leitura, a cada 15 dias postarei uma entrevista com um autor ou um ilustrador de livros infantojuvenis! Legal, né?? Aguardem!!!